domingo, 12 de maio de 2013

Diagnósticos imprecisos


“Joaquim Barbosa seria meu candidato definitivo à presidência da república e estou certo que ele venceria no primeiro turno” - Roberto DaMatta

Pois é, quem escreveu isto é considerado, por muitos, um dos grandes intelectuais brasileiros de todos os tempos. Gosto de diversos pensadores do campo, digamos, conservador, como Hannah Arendt, Raymond Aron, Norbeto Bobbio... mesmo discordando bastante, aprendo lendo seus textos, sempre. Diz muito, contudo, sobre como as coisas são no conservadorismo brasileiro a profunda incapacidade de diagnósticos lúcidos - e não falo aqui dos colunistas de sempre, da Cantanhêde, do Josias, Jabor, Merval ou qualquer destes, mas falo de quem dispõe de todas as ferramentas pra este diagnóstico, mesmo à direita, como é o caso do Roberto DaMatta, tornado mais um destes ultraneocons, disposto a ser usado e abusado pela grande mídia - recebendo bem, e em dia, claro, como o João Ubaldo ou o Ferreira Gullar. Gente que poderia contribuir muito pro conservadorismo local, dar algo de profundo aos toscos superficiais da grande imprensa, mas têm optado, em conjunto, pelas mesmas abordagens, pela escrita com ódio de classe (ou de partido, ou do Lula) ditando cada palavra, nunca pelo aproveitamento, nos textos ao menos, da vida inteira dedicada à cultura que os tornou conhecidos e respeitados.

Não é uma questão de gostar ou não de Lula, Dilma ou do PT no poder, mas de saber que Lula, Dilma e o PT estão no poder, isto é fato, e muita gente gosta disto, fato, não opinião. Não adianta esses ultracons enfiar a cabeça no buraco, ficar dia e noite no balcão do café society, bebericando seu whisky com soda e trocando "idéias" com gente que pensa exatamente o mesmo sobre tudo (sim, isso serve pra muita gente na esquerda também), mas assusta ver um antropólogo com grandes trabalhos  expondo algo assim tão simplório, mesmo do lado conservador.

É desejo legítimo do conservadorismo exaltar Joaquim Barbosa e sua atuação contra o PT no STF, onde, bom lembrar, foi colocado pelo governo do PT, e onde dificilmente estaria se a coalização PSDB/DEM  - que ainda luta, no próprio STF, contra as medidas adotadas pelo PT pra inclusão de negros - ainda estivesse no controle do governo federal. Isto não significa nenhum contrato de fidelidade de Barbosa - ou qualquer juiz do Supremo - com o partido que o colocou lá, mas é bom olhar em volta e ver com quem anda e de que lado a torcida organizada pró-Barbosa está na luta de classes, esta mesma luta da qual Barbosa é figura sintomática justamente pela ausência de negros em cargos relevantes. Assim como é perfeitamente legítimo quem contesta os procedimentos todos do Barbosa no Supremo, a falta de cuidado com os procedimentos no julgamento do mensalão (data de suposta conversa ocorrida meses após a morte de um dos intelocutores, por exemplo), a pressa pra atender o calendário político das eleições municipais, a arrogância no trato com colegas, intolerância com idéias e conceitos divergentes, o pagamento pelo STF pra jornalistas o acompanharem em viagens oficiais ....

É, vá lá, legítimo o desejo deste conservadorismo colocá-lo pra "bater" o PT em Brasília numa disputa eleitoral. Outra discussão, no campo não só da ética, mas também dos procedimentos legais envolvendo funcionários do poder judiciário, é se cabe aos juízes do Supremo ter papel tão explícito na política partidária (o que pode ser dito facilmente, a bem da verdade, de Nelson Jobim com o governo do PT e, antes, com o PSDB), beneficiando-se pessoalmente desta atuação. No caso de Barbosa a conta é simples: como presidente do Supremo ele tem o poder de julgar e por na cadeia a liderança do partido do governo, e então, depois do julgamento, poderia se aproveitar e disputar a presidência contra o partido que, como juiz, enfraqueceu decisivamente. Pode isso Arnaldo? Pro conservadorismo "de resultados" daqui, onde vale tudo - inclusive gente que defendeu a ditadura militar de 64 receber com pompa uma cubana pra "defender a liberdade" contra os "totalitários do PT e de Cuba" - coerência no discurso é algo completamente dispensável, o que vale é tirar o PT do poder, ponto.

Mas o que realmente espanta neste desejo disfarçado de análise (coisa que em inglês fica bem melhor com a expressão wishful thinking) do DaMatta é a total falta de contato com o mundo - ou de combinar com os russos - colocada na segunda parte da frase "estou certo que ele venceria no primeiro turno". Não acho, como vejo muitos blogueiros aí dizendo, que a Dilma ganha fácil, mas ignorar, como o DaMatta faz, um partido que vem ganhando eleição após eleição há 10 anos, incluindo Haddad na prefeitura de São Paulo, com expressivo eleitorado, já passa pra mera propaganda pura e simples, ou melhor, uma doença comum às nossas elites: a confusão, deliberada entre a retórica publicitária e a realidade, entre a propaganda de classe e o mundo das pessoas reais. Que um sujeito desprovido de capacidade de reflexão séria, como o Guilherme Fiuza ou alguém da Veja, fale essas coisas pra lamber as botas (sendo bondoso quanto a parte lambida) do chefe, vá lá, agora um pesquisador experiente, acostumado a grandes diagnósticos, confundir desejo de classe média tosca com "estou certo que ele venceria no primeiro turno", é sinal que já passou da hora de ficar só no whiskinho, botar os chinelos e deixar a tarefa dos grandes diagnósticos para pessoas como..., ahhmm, como, ....bom, acho que pra ninguém, não sei.

Só pra lembrar, quando a classe média moralista, grandes empresários e os meios de comunicação adotaram um herói quase desconhecido pra enfrentar a "ameaça vermelha" do PT que despontava, com um Lula que ainda usava uma barba descuidada e uma retórica esquerdista que realmente assustava muita gente, ainda assim, em 1989, Fernando Collor ganhou apertado de Lula no SEGUNDO TURNO, com considerável ajuda das edições amigas da Globo, do "dindo" Roberto Marinho, numa época que o Jornal Nacional ainda importava muito (hoje em dia, a bolinha de papel do Serra já era piada em poucas horas na internet, dando vergonha dos jornalistas e peritos do JN, que tentavam transformar o episódio em um ataque da Al  Qaeda petista). Quando outro Fernando, o Cardoso, bateu Lula no primeiro turno, ele era o candidato do governo, do Plano Real, enquanto Lula patinava entre a tradição do PT e a realpolitik que dominaria o partido depois de 1998 - ou seja, FHC estava na posição que hoje está a Dilma, exceto o apoio da grande mídia - que Dilma e o PT jamais terão - que foi, por exemplo, capaz de levar a tranquila eleição de 2010 prum segundo turno contra um inexistente José Serra. Não acho impossível uma vitória de Barbosa contra Dilma, principalmente com a exposição que vem tendo e o apoio previsível dos grandes grupos de mídia a qualquer candidato com maiores chances de bater o PT, mas daí a ter certeza duma vitória fácil contra um partido que está no poder e é muito bem avaliado vão muitas doses de whisky - pouco gelo e menos ainda juízo intelectual

PS - Se é pra ficar com o pensamento de um dos grandes das ciências sociais, na parede da sala onde trabalho na universidade tá escrito isto (e não sei quem pôs ali): o envolvimento da sociologia na "defesa da ordem" foi tão longe que já não põe em jogo as diferenças entre liberais, conservadores e radicais. Todos podem ser cientificamente íntegros, mas todos são, também, instrumentais para algo que transcende e nega a autonomia do pensamento sociológico.

A frase é de Florestan Fernandes, que certamente teria muitas decepções com os rumos do seu PT (partido pelo qual foi eleito deputado constituinte) - e muito provavelmente nem seria mais seu PT, mas tenho certeza que jamais veria Florestan do mesmo lado dos donos de tudo, estes que, desde sempre, trabalham para impedir que pessoas como o Barbosa ocupem cargos importantes - e agora pedem Barbosa no poder apenas pra continuar fazendo isso.



segunda-feira, 6 de maio de 2013

40

Como fiz 40 esses dias, li com atenção o texto do Michel Laub na Folha sobre isso - ele tá fazendo 40. O texto é muito bom, na forma de aforismos, dos quais lembro de alguns que, não por acaso, acho que compartilho, como: Antecipar duas diversões da velhice: falar sozinho em casa e ser rabugento em público; Sentar cedo (ou nem tanto, no meu caso) em frente ao computador, procrastinar o trabalho até o limite da catatonia; Ser pontual e, portanto, um idiota.

Em alguns, lógico, não me vejo: Não achar que o pessimismo é moralmente superior ao otimismo (eu acho, acho, e acho de novo); Aceitar que entre os defeitos dos amigos podem estar a burrice e a falta de caráter - tento, juro, mas cada vez que abro o facebook e vejo aquele velho conhecido repassando (eles adoram repassar) uma capa da Veja ou algo do tipo "o Feliciano pode ter alguma razão blablabla" continuo, com uma puta vontade de mandar o sujeito praquela que o pariu, mas agora que uma amiga, que realmente usa o facebook, me mostrou como tirar essas pessoas do meu circuito de notícias - e sem mandar ninguém pra lá onde foi parido, fiz uma limpa, sobrou uns 10 (de um total de 39, com 2 1 já na berlinda, só esperando uma escorregada pra ir pro meu limbo).

Um dos aforismos do Laub foi direto ao ponto: Ter um número razoável de parentes e amigos mortos. Resume bem, ter 40 é, pela primeira vez, ter certeza que que você está mais perto daquele lado, da morte, em oposição a aquela sensação de invulnerabilidade típica dos muito jovens. A morte, sua presença, não é mais - ou apenas - acidental, ela vai ficar ali, pertinho, hora ainda guardando uma distância segura, hora se aproximando bastante. Nada que me assuste muito, mas muda sim, em algum sentido, as percepções que até então eram sequer motivo de reflexão.

Aí você põe um terrorzão B (Stake Land) pra assistir e surge uma vovó simpática fugindo de vampiros zumbis (sim, vampiros zumbis, na dúvida entre qual entidade é mais popular hoje em dia, optaram no filme pela mescla num tipo único de criatura, se tiver continuação vão incluir os dragões de Guerra dos Tronos no mix).


Seguindo olhando pra dona ao longo do filme, você começa a descobrir sinais de reconhecimento, no olhar, na boca, no jeito de falar, peraí, humm, não é aquela? Daquele? Sim, é ela mesmo.


A Kelly Mcgillis, famosa no mundo todo pelo filme Top Gun, uma das inúmeras idiotices cometidas pelo Tony Scott. Mas, pelo menos por mim, lembrada mesmo por este filme do Peter Weir


A Testemunha, com o Harrison Ford, e ela, de amish. Não é o caso aqui destes antes/depois dos sites de celebridades, quando colocam a foto do Mel Gibson aos 20 anos no filme Mad Max ao lado de outra foto dele hoje, de preferência uma foto de flagrante de prisão embriagado, pra ficar naquela tolice do olha só, como tá acabado, barangô - parece até, falando em mundo de celebridades, que a Mcgillis saiu do armário recentemente, mas não é esse o ponto, sim ver aquela gata, que ainda ontem aparecia tirando parte da roupa, lentamente, antes do banho, mostrando o suficiente pra deixar tonto o Harrison Ford que espiava pela porta meio aberta - de repente, da noite pro dia (ou 30 anos), virada numa vovozinha.

Mas enfim, o negócio é que com os 40 as coisas mudam de patamar e começamos a ficar mais próximos da vovó Kelly Mcgillis do que da gatona Kelly Mcgillis dos 80 e o tal do cérebro, que normalmente já pega no tranco, demora pra notar esse novo patamar, se é que nota em algum momento. Dia desses uma moça do prédio veio falar algo comigo, simpática e incrivelmente bonita - e olha que estou em Florianópolis -  e que, aliás, se parece com a foto acima da Kelly vestida de amish. Quando a moça diz tchau, vai embora, aquele inevitável olhar canalha, meio de canto de olho, notando a ida da moça até onde for possível. E então, aquela voz interior apela à razão, lembra que a moça deve ter uns 24, 25 no máximo, "seu velho babão, acorda, deixa de ser tiozão". Prefiro, contudo, a outra voz interior, a que assobia junto, pelo menos mentalmente, ignorando solenemente a verdade dos fatos, da moça ter só pedido uma informação pro "senhor" que mora no mesmo prédio, e ter sorrido numa simpática condescendência. Ou não?

Justiça

Manchete de hoje: depois de 17 anos começa o julgamento de acusados da morte de PC Farias.

A ausência completa de algo próximo de justiça na Justiça - em todas as instâncias - ajuda a entender muita coisa por aqui.

PS - Vejo na blogosfera que, ao final de reportagem assinada em O Globo, aparece a frase: a repórter viaja a convite do Supremo. Ou seja, a última instância da Justiça brasileira acha normal pagar pruma jornalista viajar e cobrir um evento. O Globo acha normal aceitar. E eu quero um lugar no hospício.

E tá cheio de picareta publicando livro aí dizendo que o "julgamento do mensalão mudou a história do país", tá bom.

PS2 - O Jânio de Freitas na Folha, comentando a declaração de Joaquim Barbosa (de que três grandes jornais dominam a midia impressa inclinados à direita) disse o seguinte: A "imprensa se inclina para a direita" e o Judiciário se inclina para a inutilidade social, pois. O que dá no mesmo, como inclinação.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Sociopata sem sorte


Dessas coincidências da vida, abri a internet numa manhã e vi essa foto do Sebastião Salgado, que mostra o atentado sofrido por Ronald Reagan em 1981. Nem tinha idéia que o Salgado tava por lá. A noite coloquei um seriado que tinha baixado, The Americans. Logo no terceiro (acho) episódio o assunto é justamente o tiro dado em Reagan. Não tava esperando muito da série, mas gostei do que vi até aqui (5 episódios).


O episódio do tiro no presidente dos Estados Unidos foi muito bom, mostrando o frenesi todo dos agentes da KGB operando dentro dos EUA, os lendários agentes do Diretório S (ao menos pra quem lê livros de espionagem), agentes infiltrados por longos períodos, treinados pra parecerem exatamente como os cidadãos do país espionado ("falam inglês melhor que nós", nas palavras de um agente do FBI na série) - e que deram margem ao discurso de caça as bruxas dos Macartismos, o medo inflado do espião que mora ao lado, que trabalha com você, que frequenta sua casa, toma uma cerveja no seu churrasco. E é aí que quero ver onde vai essa série, afinal tem como heróis dois espiões soviéticos e suas missões em território americano, vivendo como uma perfeita família americana, destas de subúrbio (que lá é classe média) com um casal de filhos adolescentes (que não sabem da vida oculta dos pais). Afinal, sabemos todos como termina essa guerra fria, sabemos que os caras da KGB vão perder,  capturados, mortos ou, como é provável na série, convertidos ao hamburger com coca. Um dos agentes já mostrou que tá louco pra pular fora, que no fundo gosta dos americanos e seu way of life, enquanto a agente vivida pela Keri Russel, fica puta com o marido (ou colega) e diz que prefere morrer pela União Soviética. Não é muito difícil prever, com o decorrer da série, qual dos dois vai prevalecer, já que, afinal, é uma série feita por e para norte-americanos. Isso dito, até aqui fizeram boas escolhas, com o clima retro dos 80, as rotinas de espionagem e contraespionagem, com seus códigos, sinais, protocolos, coisas normalmente deixadas de lado em séries e filmes ou então simplificados em clichés de tal forma que ser espião infiltrado em um país hostil parece dia de aula na high school (Alias, Chuck, Covert Affairs, Nikita, por exemplo).

No episódio dedicado ao tiro dado em Reagan mostraram a correria do FBI procurando envolvimento da KGB, afinal Reagan tinha endurecido muito o discurso contra o "império do mal", prometendo destruir a União Soviética. Do outro lado, a correria da KGB tentando entender o que tinha acontecido. O foco foi um fato imediatamente após o atentado, a declaração do secretário de estado, Alexander Haig, de que tinha o "controle da Casa Branca". O que isso significava exatamente? Era uma ameaça? Um golpe (já que o vice-presidente era o Bush pai)? A reação soviética - e a proporção desta reação - dependeria do tipo de informação passada pelos agentes do Diretório S.

Mas confesso que outro lado da coisa ficou martelando na minha cabeça. John Hinckley, o cara que tentou matar Reagan, conseguiu - ou quase - sozinho o que poucos comandos militares conseguiriam se tentassem. Hinckley penetrou - veja a foto do Salgado - numa das couraças protetoras mais caras e treinadas do mundo, ferindo gravemente o presidente dos Estados Unidos, dois agentes do serviço-secreto e o secretário de imprensa. E fez tudo isso pra chamar a atenção desta garota:


A jovem atriz Jodie Foster, do filme Taxi Driver, que, saberíamos depois, não daria a mínima pra alguém como o Hinckley, com atentado ou sem atentado.

terça-feira, 30 de abril de 2013

O dó

Pobre PT, tão maltratado pelo tal pig. Ahh se o partido ganhasse finalmente uma eleição presidencial pra mudar essa situação, atacar a imensa concentração da mídia em grandes grupos, que acabam filtrando a informação que chega pra grande parte da população conforme seus interesses (dos donos de tudo). Chegando ao governo federal, o partido poderia colocar em pratica as propostas todas de democratização dos meios de comunicação debatidas anos e anos, definidas nos diversos fóruns do partido. 

Pois é, já ganharam a eleição, e faz um tempinho. Tão lá há 10 anos e os relatórios mostram que quem mais ganhou dinheiro do governo na parte de comunicações nesse período foi... as Organizações Globo. Os petistas (os com cargo no executivo) não moveram um dedo pra mudar a coisa, mas moveram as duas mãos pra impedir qualquer mudança, como a proposta do Franklin Martins, resultado de debates no final do segundo governo Lula. Final do segundo governo, não início do primeiro, mesmo assim, aparentemente ja descartada. E tem gente que tem peninha ainda do pobre PT. Já tive também, confesso, mas acabou faz tempo. Leio O Globo e vejo o ministro das comunicações Paulo Bernardo, do PT, reclamando publicamente dos camaradas do seu partido que querem censurar a imprensa (com propostas de regulação da mídia que existem em quase todos os países democráticos). Que beleza, diria o filósofo e narrador esportivo Milton Leite. 

Agora o sempre chato Mercadante, o pedante, vai na Folha homenagear o "seu Frias", justamente quando evidencias e mais evidencias mostram a parceria do "seu Frias" com a pior repressão do regime militar. Parceria, nesse caso, significa ajudar os milicos nas operações de captura e prisão de militantes de esquerda, tortura e morte destas pessoas, na maioria jovens. Sei que o "seu Frias" tá longe de ser exceção, e tem muita gente que adora isso, ditadura, que hoje gostaria de continuar fazendo, prendendo e torturando os "comunistas" todos. - e vão acabar conseguindo fazer isso....com o PT. 

O texto do Marcadante é significativo pela clareza da subserviência, da admiração com o todo poderoso "seu Frias", ou "seu Marinho", "seu Mesquita", "seu Civita", "seu Sirotsky". As palavras são colocadas pra deixar claro um "sim senhor" sempre que ordens vierem (e não falo de ordens do PT). Não é nenhuma profecia, mas no dia seguinte a derrota nas eleições presidenciais, quando o PT virar caça de fato, não vão faltar petistas chorando pela perseguição, pelas prisões arbitrárias, pelas sentenças injustas no STF, como já vem sendo ensaiado no tal mensalão. Claro que o Bernardo não vai ser um desses petistas, vai ocupar um belo cargo em qualquer lugar, provavelmente em Curitiba. Já o Mercadante, mesmo ajoelhado, é tão chato que o Aécio/Campos/quem quer que seja não vai resistir, vai acabar chutando o cachorro morto.

PS - Recebo de algumas pessoas, infelizmente parentes, pelo facebook essa capa da Veja (sim, fazem isso ainda).


O incrível mesmo é o que falam junto com a imagem: "Todos são iguais perante a lei. Até mudarem a lei." Putz, deixa eu ler de novo. Então até hoje todo mundo era igual perante a lei? Melhor avisar os juizes, advogados, polícia, o Maluf, o Thor Batista - ops, tarde demais, o PT acabou com a igualdade. Malditos petralhas. 

É realmente incrível, mas nisso reside a esperança do PT de continuar no poder mesmo com a caça da grande mídia, esse povo antipetista é tão tosco, mas tão tosco, que até o Mercadante parece inteligente. Bom, não, na verdade não parece mesmo assim.

domingo, 28 de abril de 2013

Capitalismo à brasileira

Sim, parece coisa de classe média sofre (e é), mas realmente  não consigo entender como grandes empresas fazem todo esforço possível pra não vender seu produto. Nisso são fantásticas, deveriam dar palestras sobre o assunto naqueles eventos de autoajuda corporativos. Quase sempre quando o tema é a tal "competitividade Brasil", o assunto descamba pra problemas de infraestrutura, portos, aeroportos, estradas ou então impostos. Não vejo ninguém falando da absoluta incapacidade - e falo aqui de empresas de grande porte - de prestar um atendimento mínimo ao cliente e, olha só, entregar o que é vendido (quando o infeliz consegue fazer a bendita compra). Tem Procon, sites e jornalistas especializados em defesa do consumidor, mas o problema é anterior ao quiprocó decorrente dos problemas pós-compras.

Pra exemplificar, continuando na linha classe-média-sofre, comprei no fim do ano passado um leitor digital, o tal e-reader, na Livraria Cultura. Gostei do aparelho - nada substitui o livro de papel blablabla, mas pra quem viaja bastante, pra ler contos e descobrir autores novos o aparelho tem sido muito útil. Fácil de usar, bom pra ler, bateria que dura semanas....a propaganda termina aqui. Comprado o aparelho o cara tem que comprar os tais ebooks. Aí a porca torce o rabo.

É de se esperar que uma livraria saiba como vender livros. É de se esperar que quem trabalhe ali, na cúpula, pense nisso. Livros eletrônicos são vendidos pela internet - e, parece, não foi ontem ou antes de ontem que o comércio online tornou-se quase hegemônico. Tempo e conhecimento pra se preparar todo mundo já teve. Vai tentar achar um livro eletrônico nos sites das grandes livrarias pra ver. Claro que as porcarias da moda, os tons de cinza todos, tão lá, na capa do site, mas vai tentar achar livros de verdade. Na Cultura então, é mais rápido digitar o livro físico todo e mandar pro aparelho do que achar o bendito e-book no site da empresa. Ou ele aparece na capa ou nas seções principais, ou esquece. Mecanismos de busca mostram tudo, menos o livro buscado. Não dá pra procurar por seções, tipo editora, suspense, literatura argentina, quando oferecem esse tipo de busca raramente funciona. A empresa precisa vender livros (acho), mas faz esforço abaixo de zero para que os livros sejam vistos por quem os procura, uma lógica própria de capitalismo. Sei que os e-books assustam as livrarias e editoras, é muito mais fácil trocar ou oferecer gratuitamente os arquivos digitais - os piratas. No entanto, mundo afora os e-books tão ocupando terreno, pra lidar com a coisa aqui as empresas têm feito o que históricamente fazem, enfiando a cabeça num buraco esperando o inimigo passar. Demoram o máximo possível pra lidar com o assunto (tipo, dez anos), quando é impossível ignorar, lançam o produto com preço nas alturas "por causa da pirataria" e, como sempre tem acontecido, ficam lá na idade da pedra. Vem uma Apple ou uma Amazon da vida e créu. Dá-lhe choro sobre impostos, falta de hábito de leitura do brasileiro, pirataria....e o imbecil que só quer comprar o bendito livro, pode sentar, e esquecer.

Logo que comprei o aparelho até mandei um e-mail pra Cultura, na base de dar sugestões, colaborar, afinal tinham acabado de lançar, podia ser só um problema de adaptação. Sugeri melhorar os sistemas de busca, possibilitar vizualizar livros por editora, ao invés de somente colocar "livros estrangeiros" ou "livros nacionais", dividir em várias seções, clássicos, suspense, policial, literatura russa, francesa, coisas assim, ajudando não só quem quer comprar um livro específico, mas quem, como eu, gosta de passear pelas opções, mas com a chance de escolher ou filtrar a busca. É claro que não rolou. Quase meio ano depois tá tudo na mesma. 

Vi ontem no blog da Cosac Naify que tão colocando parte do catálogo em ebook na Cultura e na Saraiva. Na Saraiva também tem um monte de rolo pra baixar, tem que instalar um programa próprio da livraria no computador, cadastro, o livro só aparece ali....um monte de aporrinhação pra afastar o infeliz que quer comprar um livro. Na Cultura também tem que instalar o programa do Kobo, mas com o aparelho já cadastrado eu posso só comprar pelo computador e sincronizar o aparelho via wifi  - e já aparece o bendito livro no Kobo, pronto pra ler. Em tese tudo fácil, mas antes tenho que achar o livro no site da Cultura. Tentei, juro. Clicando no banner da Cosac não vai pra lugar nenhum, digitando o nome dos livros, como o Três Mortes, aparece um monte de coisa, menos o livro, clicando em lançamentos, nada dos livros da Cosac. Realmente, é tão perfeitamente feito pra não funcionar que, não tenho dúvidas, há uma técnica sofisticada nisso.

Não é de estranhar que sites amadores ofereçam livros digitais gratuitos e de forma muito bem organizada. Em poucos passos dá pra achar o livro ou uma área de interesse, como livros policiais, por exemplo, dá pra navegar ali, ler notícias relacionadas, procurar livros semelhantes, olha só, inventaram a roda. Esses sites lucram quase nada, pedem doações, fazem tudo no braço e na raça - e nas horas extras de quem tá lá. E conseguem. Enquanto isso as grandonas, que vivem disso (acho, já desconfiando), nada fazem, apenas trocam os banners dos livros da moda conforme o jabá das editoras - ahh, fazem sim, reclamam dos impostos, da pirataria, do calor, do frio...

PS - Um exemplo da falta de cuidado das livrarias com quem gosta de ler é a revista mensal distribuída pela Saraiva. Tem de tudo ali, em aproximadamente 100 páginas, menos qualquer coisa voltada pra quem realmente gosta de ler. Notícias de palestras e livros de autoajuda, propaganda dos bestsellers, mais propaganda dos bestsellers, anúncios de aparelhos eletrônicos, isso não falta. Porém, um artigo, uma coluna, um espaço nas páginas todas, só um, que aprofunde algo de literatura, jamais vai ter. Fica tudo restrito às notinhas sem conteúdo, misto de notícia e propaganda, dessas que contaminam os jornais com as "notícias pra quem não tem tempo de ler notícias" (ou ler qualquer coisa), agora na versão "revista de livraria pra quem não gosta de literatura". 

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Revolução, só amanhã. Obrigado


Legal novas formas de protesto, chamar a atenção pras causas e a opressão dos povos, a juventude se expressando e agindo politicamente e tal. Mas tem umas coisas meio estranhas nisso tudo, jeito mais de autopromoção do que preocupação genuína com os oprimidos do planeta (a la front man de megabanda de rock). Temos, por exemplo, as escandinavas (já globalizadas) do FEMEN, tirando diariamente suas blusas por aí. Nada contra, que continuem, muito melhor do que a apatia pura e simples. Mas, no campo chato da política, esse de verificar o impacto dos protestos na ação ou ações que desencadeiam em comparação ao que pretendem,  a medida do sucesso das moças pode ser dada na cara do Vladimir Putin, posto diante de uma das militantes de topless que chamava-o de ditador num cartaz (sim, parece que tinha um cartaz nos braços dela). 

Percebe-se claramente seu pavor, medo, angustia e intensa reflexão com o cartaz acusatório. Repare o olhar fixo de Putin nas duras palavras que a moça segura acima da cabeça. Deve estar cogitando pra breve sua renúncia.