quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Motivações ocultas

Poderia citar uma dúzia de razões pra ver a série The Walking Dead. Começando com uma certa fixação pelo tema zumbis - que deixaria Lacan meio cabreiro. Gosto também do Frank Darabont, que dirigiu o piloto e produzia a série até a segunda temporada. Agora, na terceira temporada, justo no momento que tudo se passa num presídio, o Darabont (que dirigiu À espera de um milagre e Um sonho de liberdade, dois clássicos de prisão) caiu fora ou foi tirado. Aliás, um parentese, quando o George Lucas anunciou que tinha recusado duas propostas de roteiros do Darabont pro novo Indiana (esse da caveira de cristal) e assumido a história, dava pra prever a tragédia.

Além dos zumbis, gosto também do tal futuro apocalíptico. Talvez porque acho que estamos indo por aí mesmo, mesmo sem os zumbis - o que é uma pena (a ausência dos zumbis, não o apocalipse, esse é merecidão). Mad Max, A estrada e os filmes do George Romero deixaram sequelas, admito.

Mas a verdade nua e crua - aqui bem mais crua do que nua - é que quando a coisa tava meio sonolenta na segunda temporada, com os sobreviventes numa espécie de hotel fazenda, longe dos zumbis e discutindo relação, eis o que mantinha minha fidelidade:


Depois de uma temporada e pouco nem sei o nome do personagem ou da atriz. Deu trabalho procurar a foto. E as coisas começaram diferente nessa terceira temporada, com zumbis a rodo, nem precisaria de motivações adicionais, mas cada vez que aparece essa moça aí mais eu renovo minha fé num futuro apocalíptico. Com zumbis e, principalmente, com ela.
Aqui a moça em ação, prontinha pra encarar mortos-vivos. Sai da frente Serra.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Topo e base

Um partido ou coalizão de partidos que governa do topo e para o topo - grosso modo os 10% mais ricos mais uns 20% de classe média bem alta (incluindo aí os colunistas da imprensa) - vai, necessariamente, tornar a vida de 70% da população muito pior. Com o tempo os 30% do topo, mesmo beneficiados, vão ser obrigados a se refugiar em ilhas de proteção, mega condomínios fechados, veículos blindados, escolas particulares ultra caras, shoppings de luxo, segurança privada.... Esse cenário, claro, não é novidade no Brasil, tem sido o padrão dos diversos governos e partidos. Foi a opção clara de governo do PSDB de Fernando Henrique Cardoso e seu principal aliado, a Arena/PFL/DEM. 

Além de um governo pros amigos, os ricos, tem aqui uma teoria política que diz que um governo deve ajudar os mais ricos e assim eles - os ricos - vão puxar o crescimento dos demais. Conversa fiada, claro. Beneficiada por reduções de impostos (ou olhos pouco rigorosos do leão da receita) e juros altos, a elite se aproveita pra aumentar os investimentos sim - mas não na produção, gerando empregos, mas no consumo de luxo, nas viagens pra Europa/EUA, nos carros importados caríssimos, e isso gera muito pouco de emprego ou recursos aqui pro Brasil. Isso tudo parece bastante óbvio, mas não é o que se costuma ver pelas explicações dos analistas de sempre, os que defendem e vão continuar defendendo as políticas que privilegiam os mais ricos - e jurando de morte quem tentar se meter nisso.

Lula se meteu e mudou isso no final do primeiro mandato. Com todos os problemas do Partido dos Trabalhadores, seu governo mudou a direção da bússula e passou a tratar dos 70% sempre deixados pra escanteio no país.  Com um conjunto de ações, como o bolsa família, aumento do salário mínimo, os programas como o minha casa minha vida e outros tantos, Lula colocou milhões de brasileiros, que antes não tinham condições pra comprar nada, agora incluídos na chamada nova classe média, classe C - e com isso movimentou a economia interna enquanto lá fora o mundo caia em crise. Não é por acaso que nos governos do PSDB o Brasil entrava no furacão quando uma marolinha aparecia lá longe, na Ásia. Governando para o topo o país não criava um mercado interno, dependento sempre lá de fora pra quase tudo. Lula inverteu isso e o furacão da crise lá fora resultou na marolinha aqui dentro (e não vi  ninguém da imprensa reconhecendo o erro quando Lula falou isso no começo da crise). 

Governando também pros 70% mais pobres o PT melhorou a vida de 100% dos brasileiros. Ou quase, tem muita gente lá no topo que não gostou de ver pobre melhorando de vida - e nunca vai gostar.  E olha que Lula nunca mexeu com esses 30% no topo, manteve os juros altos, continuou sustentando os grandes grupos de mídia, deixou a Veja falar todas as merdas de sempre.

Esse é o ponto importante - a melhora do país inteiro a partir do cuidado com a população mais necessitada -  e é o que escapa das pessoas que lotam as caixas de e-mail com campanhas tolas contra o bolsa família, Prouni, cotas e qualquer auxílio do governo aos mais pobres. Se não me engano o Jornal Nacional mostrou como denúncia uma família que recebe uma bolsa auxílio comprando geladeira e fogão, tipo vê se pode, folgados. Nunca vão entender nada. Quem entendeu foi o metalúrgico semianalfabeto, não o doutor em sociologia. Lula fez exatamente o que o intelectual FHC sabia que tinha que ser feito prum governo social democrata, mas não teve coragem de fazer. Ficou preso nos limites de classe (diria o Lukács),  nos estigmas da elite incapaz de olhar pros mais pobres.

Além disso vai ser preciso que se passem algumas gerações, mantido o caminho de justiça social, pra que os muros que dividem o mundo dos ricos e pobres comecem a cair de verdade e que a violência finalmente diminua - numa sociedade, vamos lembrar, fundada pela injustiça da escravidão, depois na miséria da maior parte de seus cidadãos e da violência em todos os lados.

Vai demorar, mas pelo menos começou. E quase ninguém da Folha, Globo ou Estadão vai tratar disso. Vão continuar tentando derrotar o cara como se a questão toda fosse o Lula e apenas isso. Lula e o PT cometeram muitos erros, mas governar pros 70% da base e não somente pros 30% do topo tá longe de ser um deles.

PS - Um dos erros do Lula e do PT é não deixar claro pra população que um governo que trabalhe pros 70% da base é um governo de esquerda, enquanto um governo que fica só no topo, com seus 30%, é de direita. Essa é uma das grandes diferenças entre esquerda e direita e ao não deixar isso evidente o PT corre o risco de ver a coisa personificada no Lula. Ou seja, outro cara, mesmo de um partido de direita, poderia fazer também. Sei dos problemas "marqueteiros" com o uso e os significados de termos como esquerda e direita. Sei do peso que carregam e que o eleitor não tá muito disposto a esse debate. Mas fugir dele, como até aqui tem fugido o PT, é correr o risco dum direitoso falar pro povo que vai fazer igual ao Lula, pra depois devolver tudo pros 30% do topo. Olha o susto com o Russomano aí.



segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Como funciona parte 1: zumbis


Não, não é autoajuda pro elenco do The Walking Dead. Nem sei bem como qualquer coisa funciona, mas como todo mundo tenho meus palpites, incluindo aí sobre como nascem os zumbis - além das mordidas infeccionadas. Vamos lá: um candidato manjado, desses que disputam toda eleição desde o nascimento da democracia grega, vinha duma derrota no segundo turno pra presidente, tá agora com mais de 50% de rejeição do eleitorado de São Paulo. Muita coisa errada o cara fez, certo? Se botar nessa conta o apoio acrítico e entusiasmado de quase todos os que se acham formadores de opinião, põe coisa errada nisso pra alimentar tanta antipatia, mesmo com uma exposição, vamos dizer, amigável (dentro do possível pra figura, que não é muito simpática) nos meios de comunicação. Por mais medíocres que sejam, os analistas da grande imprensa, esses mesmos que ficaram na moita até aqui esperando o resultado da campanha suja do candidato, agora apontam, cheios da razão e da autoridade, com ar de eu já sabia, que a adesão do tal candidato às coisas da extrema direita não pegou bem num eleitorado que, mesmo conservador na maior parte, não quer ficar escutando baboseiras preconceituosas ou deixar religião conduzir o debate o tempo todo numa campanha duma cidade que está na merda.

Veja bem, não quer dizer que esse eleitor não ache um erro fazer um material que trate de homossexualismo pra ser distribuido nas escolas, pras "nossas crianças",  ou que ele seja a favor do aborto, da união civil de pessoas do mesmo sexo....Pode até concordar com os religiosos que vivem martelando contra essas coisas, mas ele não acha esse tipo de coisa o tema principal duma eleição quando ele não consegue se locomover dentro da cidade, seja de ônibus ou de carro, quando ele se sente ameçado dia e noite por bandidos e pela polícia, quando não consegue atendimento na rede pública de saúde. E começa a ficar meio de saco cheio dum cara que só aparece falando mensalão, mensalão. Tirando meio dúzia de cabeças privilegiadas, como o próprio candidato, a pequena sônia (ela não era adversária?) e um cara da veja, é meio que consenso que as escolhas de pauta e a postura do cara não foram felizes. Bom, com tanta rejeição, na verdade as escolhas foram uma porcaria mesmo - e, pra piorar mais a coisa toda, repetiram as mesmas escolhas da derrota anterior pra presidente. No mundo real, dos vivos, o papo furado não cola - ou pelo menos não cola tanto quanto seria necessário pruma eleição majoritária. É uma pauta de candidato a vereador ou deputado.


 O candidato do PSDB a prefeitura/governo/presidência de alguma coisa.

Já na campanha de 2010 o cérebro do candidato mostrava todos os sinais da prolongada ausência de oxigênio e o tecido morto começava a tomar o lugar do tecido vivo.  O que se dizia dele, economista conceituado, administrador experiente, desenvolvimentista, não batia com o que ele falava ou fazia na prefeitura ou no governo do estado. O que se viu foi polícia dando porrada em todo mundo, principalmente em pobre e estudante (estudante pobre então, sifu). E só. A única argumentação exposta pelo cara da "biografia" era "trololó petista" como explicação ou resposta pra qualquer sinuca de bico. O sintoma mais claro de que a vida como conhecemos já se ausentava ali era a sindrome de biruta de aeroporto. O cara vinha caminhando pra lá e pra cá conforme o vento, sem idéias novas, sem programa, procurando um cérebro pra devorar, num típico zumbi dos filmes do Romero. E procurando cérebro pra devorar não é apenas figura de linguagem, mas o modo de conduta dos ultracons que cercam o zumbi. Sempre raivosos, querendo sangue, olhos atentos procurando sinal de vida inteligente pra atacar. Talvez tentando, com isso, dar vida aos próprios registros de atividade cerebral já apenas no traço do eletro.

É o Serra ou Zé? Defende o que aí está na cidade mas se ausenta sempre que a coisa fica feia. Fala mensalão, mensalão, mensalão, mas ataca quem tocar no assunto mensalão do seu partido. Vai na parada gay mas se deixa apoiar por renomados homofóbicos como o Silas Malafaia. Xinga o que chama de kit gay do Haddad embora tenha lançado um quase igual. Nunca mostrou ser particularmente religioso e agora abraça com fervor tudo quanto é padre e pastor. Critíca o aborto e, como é típico da elite, sua mulher fez. Se coloca sempre no papel de vítima de baixarias enquanto sustenta sites pra difamar adversários (incluindo aí mentiras sobre cancelamento de Enem ou propostas de aumento de tarifas num site falso simulando ser da campanha da Haddad). Até a FOX News, A FOX NEWS, cobra do candidato republicano quando a coisa é muito descarada. Aqui não. Silêncio, grilos ao fundo. É exatamente esse tipo de véu que protege Serra (e o PSDB) que ajuda a entender (daí o titulo pretencioso do post) os motivos deste candidato continuar "prestigiado", dos tucanos não se renovarem - bom lembrar que havia um processo de prévias tucanas pra escolha do candidato a prefeito que foi destruído por Serra com aplausos gerais da imprensa. E assim o morto-vivo continua mandando.

O fraquíssimo Fernando Rodrigues, da Folha, deu a dica de como se processa a armadilha ideológica que sustenta os mortos-vivos. Em sua coluna, já com a vaca do seu candidato atolada até o chifre no brejo, reclama da baixaria. Tudo bem, tem razão mesmo. Mas reclama da baixaria dos dois candidatos, e põe o Malafaia no meio, como se fosse coisa dos dois - quando um respondia aos ataques do Malafaia. Além de desonesto é, como aliás tem sido o caminho da Folha, apostar na estupidez geral. Se um candidato tem mais de 50% de rejeição e tá quase todo mundo mostrando que as opções deste canditado pela baixaria não produziram resultado (incluindo aí o Fernando Henrique Cardoso - que também convenientemente espera bastante pra dar esse típo de diagnóstico) não dá prum analista colocar essa baixaria na conta dos demais candidatos. É falsear os fatos, dar salvo conduto pra campanhas feitas só de ataques tolos e propostas zero.

A ombudsman da Folha pede que os jornalistas não se pautem pelos marqueteiros - e ficar tratando de bobagens o tempo todo, deixando de lado as questões graves da cidade. Tarde demais dona. Os colunistas da Folha (não só, mas são os que ainda aparecem no meu computador) já não sabem falar nada diferente do padrão marqueteiro. Não é apenas complô, o tal PIG, mas é parte da formação dos jornalistas e de outros profissionais confundir propagando com fatos, como torcedor que se recusa a ver os defeitos do seu time e, em contrapartida, aceitar na boa tudo que o favorece, incluindo penalti roubado. Propaganda e jornalismo têm muita coisa em comum, partilham técnicas e ferramentas de comunicação e partilham também cada vez mais o mesmo espaço e a necessidade de agradar os donos do dinheiro que ainda mantém os jornais na ativa. Isto, claro, não é de hoje e vem atuando na formação e seleção dos "melhores" currículos pelas chefias de redação, estes que ganham espaço e importância nas coberturas de imprensa com análises sem profundidade, rasteiras mesmo, com preguiça de cultura (essa tal erudição que pra muitos só toma tempo do que importa mesmo, dinheiro) mas que contam pontos preciosos com os "de cima". Não dona Singer, mantido esse padrão de cobertura e nível de jornalismo não dá mais pra separar jornalista de marqueteiro. A finalidade é a mesma, vender algo.

Uma imprensa com um pouquinho só de dignidade, pra não dizer inteligência e algum, nem precisa muito não, espírito crítico, já teria decepado a cabeça do morto-vivo muito antes pela sua absoluta falta de sucesso em se comunicar com o mundo dos vivos. E isto não seria nenhum passo à esquerda, mas o contrário, é liberar um pouco de oxigênio pros pássaros bicudos respirarem e não transformar tudo em zumbi como tão fazendo. Não tenho nenhum interesse em dar receitas pra direita (até por que ela tá bem viva, apenas fora do poder formal no planalto, mas longe de não ser hegemônica), mas com essa cobertura engana-trouxa montada pra classe média mais imbecil (ou assinante/sócio/torcedor) que a imprensa se especializou (ou fez um MBA, na linguagem da moda) - vide mensalão - tá duro de ver alguém com aparência saudável nos lados do PSDB. E olhando o nome minas-leblon que se propõe pro lugar até aqui cativo do zumbi, tá mais pra candidato de reallity do tipo rehab do que político sério. Vão ter que criar um novo kit zumbi pra sustentar mais um candidato que, por si só, não para em pé (diferente dos postes).

Resumindo, em números, desses que afetam a vida dos vivos (como emprego, aumento do salário, moradia) o Brasil tá melhor do que estava antes de Lula. Isso é um dado concreto (IBGE, Dieese), goste-se ou não. Pode ser com algum mérito do FHC, pouco mérito do FHC (tô nessa), mas ao invés de pensar em como melhorar ainda mais esses números e, em consequência, a vida dos vivos, a joint venture entre partidos de oposição e imprensa fica exclusivamente (e exaustivamente) dedicada a promover e sustentar zumbis, combatendo exatamente os fatores (como queda dos juros, fortalecimento das empresas estatais e programas de redução de pobreza) que ajudaram a construir esses números melhores. É a política feita por e para zumbis, que descaracteriza e ataca a vida - e a tragédia de Pinheirinho tá aí pra mostrar como funciona. São estes zumbis que diante da complexidade duma disputa política com um governo muito bem avaliado, só sabem berrar petralhas, petralhas (e agora mensalão, mensalão). Acho que o cérebro já foi comido faz tempo.

PS - Acabei de ler um texto muito bom do Paulo Moreira Leite - outro dos raros que mostra-se mais interessado em compreender do que escolher um lado e ficar martelando pensamentos prontos - que fala dessas generalizações cheias de interesse da imprensa quando seu candidato perde. Ele pega as conclusões apressadas dos analistas a partir dos números altos de votos brancos e nulos em SP. Diz a ladainha destes analistas que isso mostra uma falha da nossa democracia, problemas de representatividade, questionam a apatia do eleitor, pedem mudanças....só porque perderam. O Paulo Moreira Leite mostra que ninguém no comité do Haddad tá reclamando da democracia. O problema é que o Serra não empolgou, não conseguiu os votos que precisava. A apatia foi dos eleitores do Serra que não queriam votar no PT mas  não aguentam mais o zumbi. O problema é do Serra, do PSDB e de seus apoiadores ultracons na imprensa, não da democracia.

PS 2 - Manchete do Uol no day after da derrota do Serra pro Haddad: Em discurso, Serra mostra disposição, analisa Josias. E vamos nós. Pega lá o kit zumbi Josias.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Tiririca na cabeça do Fiúza

Confesso que nunca fui muito com a cara do escritor Guilherme Fiúza. Quando do lançamento do filme Meu Nome Não é Johnny (o livro é dele) o cara apareceu aqui e ali, incluindo a invasão bem sem sal em alguns dos meus sagrados programas filosóficos preferidos - conhecidos pelos demais mortais como mesas redondas de futebol. Sempre aquele arzinho blasé de quem faz muita força pra falar com os outros, os não abençoados com seu brilho intelectual. Nem sabia que era desses ultracons, mas dava toda pinta e mantive distância segura desde então. Agora soube que escreve as tolices usuais do nosso tosco conservadorismo na revista Época (esses ultracons sempre encontram abrigo nas Organizações Globo, coitado do Paulo Moreira Leite), daquelas que os donos de tudo sempre falam quando os eleitores votam em quem melhora suas vidas e não em quem eles mandam votar.  Como não acompanho as colunas do moço, não dá pra cravar muita coisa, mas li a coluna recente onde ele agride os eleitores de São Paulo por votar no Haddad, chama de palhaçada, termo dele, comparando ao voto no Tiririca. No mais a coluna é um desfile de argumentos daqueles de cientista político de facebook - a privatização da telefonia foi boa pra todas as classes e com o PT nunca teria acontecido, Dilma não fez nada até aqui...e o mensalão (o do PT, claro, e só o do PT) é a maior tragédia do universo, nada no mundo pode continuar igual depois do STF julgar o mensalão...Ufa. Esses caras, como o Madureira, a Soninha tão com muita raiva, muita mesmo. Uma coisa digo, deve ser muito mais fácil ganhar a vida nesse ramo "colunista antipetralha coolzinho", é só dar control c em uma coluna dum desses notórios filósofos e colar nas colunas todas nos meses seguintes, variando um ou outro bordão. O bordão que Fiúza acrescentou ao léxico ultracon - acho, não fico lendo esse pessoal - é comparar Haddad ao palhaço Tiririca. Confesso que não tenho nenhuma raiva do Tiririca, disputou uma eleição e foi eleito. Tá cheio de gente que não disputa eleição, nunca dá cara a tapa, mas quer mandar no povo. Também não sou chegado em carteiradas acadêmicas, tipo o cara é professor doutor, pesquisador A do CNPQ com o Lattes.....Não é esse o caso, comparar o semialfabetizado palhaço com o professor doutor e ex ministro da educação. O caso é justamente que essa comparação seja feita e que pra alguém isso signifique algo. Fiúza pega alguns signos óbvios e reconhecidos - mensalão do PT, todo mundo com celular na mão, Tiririca - e conduz suas comparações pelo rumo que crianças de 12 anos comparando seus times de futebol preferidos tomariam. Se - pro Fiúza e seus brothers - quem votou no Tiririca é um tonto, que tal tentar mostrar que quem vota em Haddad é tonto igual? Vai que cola. Sei que depois dessa vou reler algumas colunas do Elio Gaspari, passar um paninho na coleção de livros dele sobre a ditadura aqui na estante.  Não concordo em quase nada com o Gaspari, que é conservador e antipetista ferrenho, mas não é o Fiúza. E isso é um mérito muito grande nesse mundo lotado de intelectuais sofisticadíssimos como o Fiúza. Acho que sou mesmo um vira-lata que não entende nada de intelectual ou de sofisticação. Prefiro o Tiririca ao Fiúza.

PS - Sobre Dilma não ter feito nada nesses dois anos, imagino que pra pessoas de elevado nascimento (como diria um autor de fantasia) não seja muita coisa, ou nada mesmo, peitar os Armínios do sistema financeiro e seu Banco Central pra começar a mudar o histórico de duas décadas de juros altos que manteve reféns FHC e Lula, tirando dinheiro dos trabalhadores pra aumentar a fortuna de banqueiros e outras pessoas bem nascidas. Não, pra intelectuais refinadíssimos mudar isso é nada. Ou é bem pior do que nada, daí a raiva toda.

PS 2 - Dei um google no Fiúza pra saber um pouco mais da figura e o resultado não foi muito animador, acho que vou ter que retirar o intelecutal refinadíssimo, mesmo na ironia. Mais do que o próprio googlado apareceu uma socialite dum reallity desses, Narcisa sobrenome (preguiça de escrever). Não sei se é namorada ou o que, sei que não é bom sinal prum intelectual, mas acontece, tem coisas que não dá pra controlar. Vamos em frente. Além do Johnny, publicou também uma biografia do Bussunda e parece que está fazendo ou fez uma do Gianecchine. Esse pessoal deve ficar duplamente puto com o Bial. Primeiro por apresentar o BBB, deve dar uma baita inveja. Depois por ter feito a biografia chapa branca do Marinho. Isso deve ter doído nesse povo louco pra achar um biografável famoso e poderoso pra chamar de seu (e vender um monte, e aparecer um monte no Jô, no Gentili, no programa de variedades das tardes da Globonews, no Redação Sportv...). Não tá fácil salvar não, reconheço.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Sintomas

Falando das soninhas e madureiras da vida, são tantos os exemplos de jovens supostamente esquerdistas que "amadurecem" - ou seja, viram reaças de fazer inveja ao Malafaia, que já deixei alertados algumas pessoas próximas que se, depois dos 40 (que estão chegando), eu começar a mostrar alguns dos seguintes sintomas, favor mirar e atirar bem na cabeça que o corpo já não me pertence.  É sério.

1) Começar alguma frase com: até que nisso a Lúcia Hippolito tem razão. Variações com Merval, Jabor, Leitão, Cantanhêde....também devem ser finalizadas rapidamente.
2) Dizer sobre qualquer coisa envolvendo manifestações de jovens: são tudo baderneiros.
3) Falar a palavra empreendedor a sério.
4) Começar a usar no meio de frases em português - com cara afetada - termos como case, bullet point, budget, briefing, turn over, hands on, hobby box, conference call, sponsor, stakeholders, brainstorm, work station...e outros inglesismos que tentam afastar pobre da conversa e simular algum tipo de erudição - criando uma lingua feia em português e sem sentido em inglês.
5) Continuar ouvindo o U2 e, detalhe importante, concordar com o Bono em alguma coisa.
6) Ameaçar votar em alguém do PSDB.
7) Dizer que o CQC é ótimo e eles não perdoam ninguém.
8) Protestar contra algum ato do MST, tipo ahh mas ali não deviam ter invadido, ou coisa assim.
9) Iniciar qualquer argumentação com "eu pago meus impostos".
10) Ameaçar votar em alguém do PSDB.
11) Achar que a Folha tem pluralidade de opiniões.
12) Acreditar que o/a ombusdman da Folha quer realmente arrumar alguma coisa importante lá dentro.
13) Dizer que a política de cotas vai acabar com o mérito ou vai criar o racismo no Brasil.
14) Achar o Eike Batista um gênio;
15) Achar o Luciano Huck um cara inteligente.
16) Acreditar que o Ronaldo quer algo além de ganhar dinheiro em qualquer coisa que faça.
17) Carregar um exemplar de Você S/A.
18) Citar um pensamento fantástico do Shinyashiki.
19) Ameaçar votar em alguém do PSDB.
20) Chamar o Magnoli de pensador.
21) Acreditar que juro alto e corte dos gastos públicos é austeridade.
22) Assistir o Jornal Nacional e não cair na risada diante das caras sérias do casal que apresenta quando vão mostrar alguma denúncia semanal contra o PT.
23) Pedir prum juiz do STF que seja presidente do país. Assim, simples. Concordo com a postura dum juíz num julgamento, logo...ele tá pronto pra ser presidente do Brasil. Fácil.
24) Começar a procurar o biotipo das crianças na escolas pra identificar ali os futuros marginais.
25) Pensar, depois do enésimo incêndio numa favela de SP, "puxa, que pessoal descuidado".
26) Acreditar mesmo que o fim da distribuição de sacolinhas de plástico no supermercado resolve alguma coisa no meio ambiente - enquanto dá uns trocados pro menino do Pão de Açucar botar tudo no bagageiro duma mega SUV (um dos três carros da família) que você usa até pra ir na padaria que fica meio quarteirão da sua casa - e joga uma tonelada de poluição no céu da cidade.
27) Apagar a luz por uma hora na tal hora do planeta e ir dormir sossegado, com a consciência limpa, "fiz minha parte".
28) Falar bem alto pra todo mundo ouvir na frente dum pedinte que não dá esmola pois isso incentiva a vadiagem, e já contribui com uma ong....
29) Contribuir com ONGs .
30) Pedir o Bernardinho do volei pra presidente (mesmo raciocínio do item 23, ganhou uma medalha na olimpíada, logo...)
31) Colocar um adesivo "não reeleja ninguém" no seu blog e se achar uma pessoa muito politizada.
32) Xingar o Chico de tudo quanto é nome porque ele ganhou o Jabuti, achando que é o maior agitador cultural, assinar um manisfesto online pra ele devolver o prêmio, sem nem saber quem é o Edney Silvestre (que ficou em 2°) e só ter lido na vida Pai rico pai pobre, O monge e o executivo ou Mulheres são de algum planeta e homens são de outro (ou algo parecido) e ter achado que os autores destes livros foram injustamente ignorados pelo Nobel (que deve ter sido dado pra algum petralha).
33) Ameaçar votar em alguém do PSDB.
34) Achar natural um show em homenagem ao Brasil e apresentado pelo Luciano Huck, com Luan Santana como atração principal, realizado em Angola, país de língua portuguesa, se chamar Brazilian Day.
35) Achar natural qualquer coisa apresentada pelo Luciano Huck, com Luan Santana, sem Luan Santana, Ivete Sangalo, Claudia Leite....os de sempre.
36) Pedir o Bernardinho do volei pra técnico da seleção brasileira de futebol.
37) Levar voleibol a sério.
38) Levantar a mão direita aberta pra cima com a palma da mão virada pra frente e, com o maior entusiasmo, pedir "give me five".
39) Escrever algo e colocar kkkkkk, huauhuauhuau, rsrsrsrs depois (esse ítem tem peso dobrado e deveria ter sido o item 1).
40) Ler editoriais da Folha, Estadão e O Globo.
41) Ler qualquer parte dum jornal do Grupo RBS. Mesmo os classificados.
42) Assistir o Jornal das 10 na Globonews ao invés do JN e achar que é muito mais aprofundado.
43) Tomar um gole de vinho, fazer aquela cara de sommelier e começar a discorrer sobre as notas cítricas presentes na bebida, com tons de especiarias, sabor aveludado e uma presença marcante de alguma coisa que sabe-se lá de onde tira..... E depois comer algum troço e elogiar a harmonização com a bebida.
44) Prestigiar um desses famosos - ou qualquer um - "atuando" como DJ.
45) Explicar qualquer coisa - dum novo sistema operacional de computador ao funcionamento da sociedade de castas na Índia - com alguma citação do Steve Jobs

(continua)

PS -  Se eu apresentar alguns destes sintomas. Plural. Mais de um. Viu moça, você mesmo, não vai aproveitar pra atirar na minha cabeça só porque eu assobiei Sunday bloody sunday.

Maduro, madureira, imaturo

Numa coisa eu e o eleitor carioca Marcelo Madureira concordamos no que ele escreveu na Folha (22/10) defendendo o voto no Serra em SP: ele perdeu a graça. Não é de hoje e dá até pra precisar o momento: meados de 2006. Enquanto o Brasil perdia a Copa na Alemanha o Casseta perdia seu humor e seu rumo com a morte do Bussunda. E os moleques rebeldes e engraçados dos 80 viraram essa coisa que se materializa na forma do Madureira, um típico general de pijamas, velho, chato e reaça.

Diz o humorista ao final do texto tão sem sentido quanto o candidato que defende: "caramba, nunca escrevi tão sério! Deve ser influência do Serra".

Sim, concordamos nisso também, a seriedade e também o humor do Casseta tão sob influência da seriedade e do humor do Serra.

PS - Pensei em sugerir ao Madureira que, perdida a causa em SP, leve seu brother pra fazer política no Rio, mas além de ser um comentário meio óbvio e sem graça, é evidente que o Rio não merece. Já pensou? Globo, Malafaia, Madureira e Serra.

sábado, 20 de outubro de 2012

pequena sônia

Disse num post anterior pra botar o microfone longe dos técnicos de futebol durante as partidas pra evitar os palavrões. Agora leio que a ex-jovem, ex-esquerdista, ex-vanguardista e atual pequena sônia, e cada vez menor, xingou de filho da puta o canditato do PT que a derrotou na disputa pra prefeitura de SP. Ela disputou mesmo? Os eleitores não perceberam. Ou, como ela mesmo disse, só percebem a moça quando ela xinga. Seguindo a receita dos técnicos de futebol, melhor deixar os microfones (e teclados do computador) longe da moça pra não ouvir/ler merda. Não o palavrão merda, mas a quantidade de bobagens que essa moça diz. 

O pessoal costuma ficar meio assustado diante da metamorfose da pequena sônia, de liberal tipo verdinha, salvem o mundo e fumem maconha, com pitadas de esquerdismos aqui ou ali, pruma ativista da Ku Klux Klan. Esse percurso não deveria espantar ninguém. É regra, não exceção por aqui. Basta olhar as manifestações públicas dos ex-garotos rebeldes de outrora. Não há nenhuma conversão, apenas o uso meio confuso, na juventude, dos estereótipos do jovem descolado que luta contra tudo (sem ferir muita coisa). Isso garante popularidade - ou alguém acha que os membros da juventude tucana que andam por aí de roupinha social e cabelo penteadinho falando todos os clichés do mundo corporativo vão ser tratados como popstars? Não, pra isso é preciso buscar os signos do inconformado, com problemas de adaptação mas que luta dentro do mainstream pra conquistar um lugar. Pega bem. Mas é só isso. 

De esquerda mesmo, como entendo, pautada na luta pela justiça social, essas pessoas nunca chegaram perto. Apenas percorrem alguns movimentos estundantis, seminários, um livro do Marx (talvez, eles dizem, mas duvido), programas cool na TV, partidos políticos - fases, sempre esperando o momento da verdade, do "amadurecimento", de abraçar publicamente o que nunca renegaram, o dinheiro. Não digo aqui grana no bolso pura e simples, acho que nem é o caso e é mais complexo do que só isso. Mas o lado escolhido na "maturidade" é, sem supresa, o dos donos de tudo.

Sim, eu sei, o PT também "amadureceu" no processo de alianças e entendo perfeitamente quem, à esquerda, ataca o partido. Mas xingar petista pra apoiar fervorosamente o Serra, o PSDB, as políticas de higienização, o favorecimento dos carros (de preferência de luxo) em detrimento do transporte público, a homofobia e toda sorte de preconceitos dos Malafaias...e, fundamentalmente, apoiar tudo o que fizeram em Pinheirinho? Não, obrigado. Deixo pra pequena sônia e pro rogério ceni. Isso seria tranquilizar minha consciência esquerdista e por a conta nas costas de quem já tá fudido, dos miseráveis, de quem apanha e morre por causa das políticas tucanas. Sem enxergar as estruturas de dominação, pessoas como a pequena sônia ficam vagando, hora aqui, hora ali, boiando na superfície, rumando conforme o vento. Vale a pena perder tempo não. Merda, já perdi meia hora do meu.

O Problema não é a soninha. Isto é banal. O problema é o Plínio.

PS - Sobre a questão do dinheiro como motivador, tem muita gente por aí publicando uma tabela com uma lista dos parentes da soninha vinculados, sem concurso, a administração tucana-kassab, incluindo aí os valores recebidos. É bastante parente, incluindo aí a própria, com uma boquinha de conselheira da Cetesb, desses cargos que o cara vai numa reunião vez ou outra e embolsa um belo dim dim. Ajuda a entender o "destempero" da moça. Ajuda a entender também as cruzadas éticas seletivas da imprensa, como mostra o Paulo Nogueira no seu Diário do Centro do Mundo, que achou esse tipo de informação de interesse público, mas procurou e não viu nada na Folha. Mas aparelhamento do Estado pelo PT ele achou um montão de coisa.