domingo, 16 de setembro de 2012

Andre Dahmer

Valeu Camila

Não sei quase nada sobre o Dahmer, não pesquisei no google, não sei a idade ou preferências políticas e só recentemente vi que suas tiras saem na Folha, mas quando finalizava minha tese sobre o pensamento elitista brasileiro (ou algo assim) vi várias tirinhas da série Os Malvados sem saber do que se tratava e notei que, como quase sempre acontece com o humor talentoso, resumiam páginas e páginas da minha tentativa de escrita.

Sempre que vejo o programa do Jon Stewart, do Colbert ou do Maher, os chamados humoristas "liberais" dos EUA, e olho em volta no Brasil pra onipresença do discurso conservador mais tosco nos meios de comunicação de massa, imagino o bem que faria esse humor esquerdista para desconstruir o já monótono caminho da "verdade" -  esse de quase toda semana, principalmente perto de eleições: primeiro a denúncia (sempre conveniente) é estampada na capa da revista, então repercutida sem crítica ou mesmo com aprovação nos jornais, pra então ser mostrada ao Brasil ampliado com toda a pompa e ar de gravidade (mesmo com aquela cara de pastel) pelo apresentador do telejornal mais visto. 

Aliás, é bastante significativo que o humor ácido de quando eu era moleque, principalmente com as publicação da Casseta Popular e o Planeta Diário, desaguassem nesse conservadorismo sem graça do programa da Globo. A fala do Marcelo Madureira num dos eventos promovidos pelos donos de tudo, o Instituto Millenium, repleta de ódio da esquerda que supostamente defendia quando mais jovem, é deprimente e sintomática da sede de aprovação pelo  mainstream dos outrora rebeldes. Rebeldes que, como mostra 1 minuto de CQC, são sempre a favor, na imortal definição do Jaguar (acho).


sábado, 15 de setembro de 2012

Folha versus Boitempo

A implicância da Folha com a editora Boitempo deve seguir uma lógica típica do new-velhíssimo jornalismo brasileiro: sem Marx, Zizek, Löwy, Mészáros e outros "esquerdistas" dando sopa por aí em novas edições, é capaz dos colunistas da casa, como Cantanhêde, Coutinho, Rodrigues, Pondé, Schwartsman, Rossi, Dimenstein e outros, de repente, parecerem inteligentes. Não vai rolar, vai continuar sobrando pro Jânio de Freitas tocar o jornal sozinho.

PS - Vi que o grande Kassab proibiu a distribuição gratuita de livros em São Paulo. Também não vai fazer os colunistas da Folha mais inteligentes. 

Férias reais


Me chamou mais atenção do que própriamente as fotos do discreto topless real de Kate a repetição, em todas as notícias, de que o casal estava em férias num local privado, tomando assim, parte da imprensa, as dores dos defensores da realeza que se indignaram com a suposta invasão de privacidade e exposição (com lentes de aumento talvez) das jóias reais. Pouco me lixando pro debate sobre o direito de privacidade do casal, o que me deixou curioso mesmo é saber férias de quê exatamente eles gozam? É possível tirar férias de uma rotina de festas e mais festas? Imagino o princípe chamando seu entourage após todas as festas e jogos das olimpíadas e reclamando: pô, preciso de férias urgentes, não aguento mais tanta comida, tanta bebida. Será que ele vende parte das férias? Harry (não o Potter, o outro príncipe) deve ter dado uma dura no irmão mais velho - porra, só eu que ralo o dia todo nessa merda de familia?





sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Utopia

Achar que prendendo, matando, torturando, lotando cadeias, construindo novas cadeias, reduzindo a idade para punição penal, aumentando o tempo das penas, introduzindo (legalmente) a pena de morte que pra pobre sempre existiu, criando milícias, mantendo a PM, escondendo os crimes da Polícia Civil, incendiando favelas, criminalizando "maconheiro" e afins, perseguindo quem baixa música e filmes da internet, comprando armas, vendendo armas, berrando sempre palavras duras contra os "vagabundos" e, ao final, com isso, vai finalmente construir um país sem violência  - quando o resultado é justamente o oposto (e todo mundo, no fundo sabe, enquanto alguns ganham muito com essa indústria da proteção ao "cidadão de bem", nas finanças e na política). Distopia pois teremos.

PS - Post inspirado na aparente indignação da Folha de SP, visível pelas chamadas de capa do UOL, questionando o pouco tempo de pena para o serial killer norueguês (21 anos) e, depois, destacando as condições do encarceramento numa prisão "de luxo". A Folha poderia ensinar aos noruegueses - com seus baixíssimos índices de criminalidade e prisões vazias - todo nosso expertise para resolver o problema da violência. Começando com uma imprensa incansável no trabalho de promover políticos e programas que aumentam a desigualdade social e criminalizam a pobreza.

PS 2 - As famílias das vítimas do serial killer não estavam indignadas com a pena ou as condições da prisão.